Até pouco tempo, escolher o "cérebro" de um agente do Agentforce era uma decisão pequena: você aceitava o modelo padrão e seguia a vida. Isso mudou. Com o Gemini entrando na lista, a pergunta "qual modelo esse agente deveria usar?" virou uma decisão de projeto, com impacto em custo, em qualidade de resposta em português e no tipo de tarefa que o agente aguenta.
Desde a atualização de junho de 2026, o Atlas Reasoning Engine do Agentforce roda com Google Gemini, além de OpenAI e Anthropic. Você escolhe o modelo do agente por custo, qualidade no seu idioma e caso de uso, usando o padrão gerenciado da Salesforce, o Claude no Bedrock ou o seu próprio via BYOLLM.
O que mudou de verdade
O Atlas Reasoning Engine é a peça do Agentforce que raciocina e planeja: dado um pedido, ele decide quais ações chamar, em que ordem, e como montar a resposta. Por muito tempo essa engine ficou presa a um conjunto restrito de modelos. Agora o Gemini se junta à OpenAI e à Anthropic como opção nativa, incluindo o Gemini 3.5 Flash, que é multimodal e enxerga texto, imagem e vídeo. Na prática, você deixou de ter um cérebro fixo e passou a ter um seletor.
Junto disso, a própria engine ficou configurável, com um modo de raciocínio híbrido que equilibra a criatividade do modelo com a certeza de regras de negócio estruturadas. É a mesma filosofia que aparece no Agentforce Builder novo e no Agent Script: tirar do LLM as decisões que precisam ser previsíveis e deixar com ele só o que ganha com linguagem natural.
Os três caminhos de modelo
Antes de comparar provedores, vale entender que o Agentforce oferece três formas de fornecer o modelo, e elas mudam quem cuida da infraestrutura:
- Salesforce Default: uma mistura gerenciada de modelos confiáveis, hoje incluindo o GPT-4o. A Salesforce escolhe e mantém. É o caminho de menor esforço e um ótimo ponto de partida.
- Hospedado na AWS: o Claude Sonnet 4 rodando no Amazon Bedrock, dentro da infraestrutura da Salesforce. Você ganha o modelo da Anthropic sem gerenciar conta própria.
- BYOLLM (traga seu modelo): pela Models API, você conecta a sua própria instância de um provedor suportado, hoje Amazon Bedrock, Azure OpenAI, OpenAI e Vertex AI da Google, com as suas credenciais. É o caminho de quem já tem contrato, residência de dados ou um modelo específico em mente.
Como escolher o modelo, na prática
Trocar de modelo não é escolher o "melhor" de um ranking de inglês. É casar quatro variáveis com o trabalho real do agente:
- Custo por interação. Um agente de atendimento que responde milhares de conversas por dia sente cada centavo por token. Modelos menores e mais baratos, como as variantes Flash do Gemini, costumam bastar para triagem e respostas curtas, sobrando o modelo caro para os casos difíceis.
- Qualidade no seu idioma. Aqui é onde muita comparação de benchmark engana. O que importa para um agente brasileiro é como o modelo lida com português real, com gíria, abreviação e a forma torta como o cliente digita. Isso não sai de um score de inglês.
- Caso de uso. Se o agente precisa ler um comprovante em imagem ou um vídeo, um modelo multimodal como o Gemini 3.5 Flash resolve nativamente. Se é só texto e chamada de ação, um modelo de texto enxuto entrega o mesmo com menos custo.
- Latência. Num chat ao vivo, meio segundo a mais por resposta muda a percepção de qualidade. Modelos maiores raciocinam melhor, mas nem sempre você quer essa espera na linha de frente.
Um critério de escolha que uso (org de demonstração)
Na Vetra Distribuidora, a empresa fictícia que uso como org de demonstração deste portfólio, o cenário que mais expõe essa decisão é o agente de atendimento em português. Quando montei a comparação entre um modelo padrão e uma variante mais barata, o critério que mais pesou não foi nenhum benchmark divulgado, foi quantas conversas o modelo entendia de primeira sem que o cliente precisasse repetir. Um modelo que erra a intenção e força o cliente a reformular custa mais em atrito do que economiza em token. Foi por isso que passei a tratar a escolha de modelo como um teste com conversas reais do domínio, não como leitura de tabela. A regra que ficou: comece pelo Salesforce Default, meça onde ele falha no seu contexto, e só troque de modelo com uma falha concreta na mão. Para os termos que aparecem aqui, o glossário de Salesforce tem as definições rápidas.
E a segurança, muda?
Uma dúvida comum ao trocar de provedor é se você abre mão das garantias da plataforma. Não abre. O Einstein Trust Layer, com mascaramento de dados sensíveis, retenção zero pelo provedor do modelo e checagem de toxicidade, fica entre o agente e o modelo, valendo igual para OpenAI, Anthropic ou Gemini. É isso que torna o seletor de modelos uma decisão de otimização, não de risco.
Por onde começar
Ter Gemini, OpenAI e Anthropic disponíveis é ótimo, mas a escolha só vale quando nasce de uma dor medida no seu processo, não da curiosidade de testar o modelo do momento. Comece pelo padrão, instrumente o agente para registrar onde ele erra a intenção ou fica caro, e use esse dado para justificar a troca.
Perguntas frequentes
O Agentforce já aceita o Google Gemini?
Sim. Desde a atualização de junho de 2026, o Atlas Reasoning Engine roda com o Google Gemini, incluindo o Gemini 3.5 Flash multimodal, ao lado dos modelos da OpenAI e da Anthropic que já eram suportados.
Qual modelo o Agentforce usa por padrão?
A opção Salesforce Default é uma mistura gerenciada de modelos confiáveis, hoje incluindo o GPT-4o. A opção hospedada na AWS usa o Claude Sonnet 4 no Amazon Bedrock. Você só troca se tiver um motivo concreto.
Posso usar meu próprio modelo?
Sim, pelo BYOLLM da Models API, que aceita Amazon Bedrock, Azure OpenAI, OpenAI e Vertex AI da Google. Você conecta a sua instância com as suas credenciais, útil quando já tem contrato ou residência de dados definida.
Trocar o modelo muda o Trust Layer?
Não. O Einstein Trust Layer, com mascaramento, retenção zero e checagem de toxicidade, continua valendo independentemente do modelo. Ele é a camada da plataforma entre o agente e o modelo escolhido.
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